30/Agosto/2009

Vou te contar um segredo

1) Presa em casa.

Ultimamente tenho me sentido presa em casa. Faço de tudo para resolver o máximo de assuntos necessários em determinada região da cidade, para que não precise voltar lá tão cedo. E tem alguns dias específicos que sair de casa é quase uma tortura. Psicológica.

O anjinho vem e me diz: não te isola desse jeito, vai, conhece pessoas, caminha, aproveita o sol lá fora – e convenhamos que tem feito dias lindos em Porto Alegre -, convida amigos pra uma festa, um cinema, um parque, qualquer coisa. E então vem o diabinho e diz: fica, fica de pijama que é quentinho e confortável, assiste um seriado, faz um almoço gostoso, arruma a casa, estuda, não sai, lá fora é hostil, difícil e doloroso.

house

Vezes saio. Vezes não.

2) Não tem o que explicar.

As pessoas perguntam o motivo das minhas tatuagens. Uma delas tem sim uma historinha do porquê, mas se eu quisesse contar e criar motivos pra cada uma delas, eu mesma traria a tona o assunto para contar AS PESSOAS QUE ME INTERESSA QUE SAIBAM os motivos de tatuar tais desenhos.

É a minha intimidade o que eu quero desenhar no meu corpo e não vou sair contando. Se quisesse sair contando, postava aqui.

Resumindo: Não pergunte, é coisa de gente chata.

sane

cada um com os seus problemas

3) Eu esqueci.

Todos os anos, na data exata, eu acordava e lembrava que aquele dia um dia foi importante pra mim. E imaginava o que eu faria se as coisas não fossem do jeito que foram. Imaginava todas as surpresas geniais que eu faria, todas as demonstrações de afeto e todas as comemorações. Me deprimia. Passava o resto do dia chorosa.

Esse ano, eu só lembrei que aquele dia era aquele dia quando já haviam passado 2 dias. Vocês não podem conceber a minha felicidade por ter esquecido. Foi a sensação de finalmente ter me libertado de algo que nunca fosse sair de mim. Não pensei em comemorações ou afeto, nada. Só liberdade. LIBERDADE, de verdade.

birthday

but not anymore

Imagens retiradas do PostSecret. As páginas linkadas em cada foto são os respectivos posts de cada segredo original.

21/Agosto/2009

Solidão

Como é dificil encontrar alguém em uma praia no inverno…

Ir a praia no inverno

praia no inverno

Não faz um frio congelante. O calor do sol consegue balancear o frio do vento, e a areia está umida, mas não tão umida a ponto de fazer parar. Há uma concha brilhando na areia, alegria: vozes, risadas, música. E logo tudo cessa. A garganta fecha, vem um desespero, uma angústia. Ninguém mais fala nada, ninguém ri, não há direção a seguir.

Só resta dizer que a porta ainda esta entreaberta. Fechando.

a porta segue entreaberta

É preciso correr.

20/Agosto/2009

Swing (dança de salão): Lindy Hop

Lendo feeds recomendados por amigos, recebi esse post “Humilhando a dança dos famosos.” do blog Siriloko. O post contém esse video:

Assisti ao video 3 vezes pra conseguir entender que os passos base dessa dança são em 8 tempos. Faço dança de salão e já falei sobre o assunto aqui no blog, e o que mais me intrigou nesse ritmo é a dificuldade das figuras. Todas elas são assustadoramente acrobáticas e tem um risco muito grande de dar errado. Por muitas vezes eu parei o video por medo de ver alguém se machucando nos segundos seguintes.

Esse video foi feito em uma competição: Ultimate Lindy Hop Showdown 2006. Procurei pela respectiva competição desse ano e encontrei o site. A competição de 2009 acontecerá em outubro. Já estou ansiosa pelos videos no youtube, já que ir lá assistir não é uma possibilidade…

19/Agosto/2009

[des]apego

Todo filho, chegando a certa idade, tem necessidade de negar seus pais. Seja criticando a forma como lidam com dinheiro, como conduzem as decisões familiares, como organizam suas coisas em casa, como se alimentam, etc.

Já passei da idade de querer negar meus pais, mas ainda não consigo conviver com um problema grave de convivência: Apego material.

Pode parecer maluquice, mas de tempos em tempos (de pouco em pouco tempo) mudo meus móveis de lugar: todos os que eu consigo arrastar sozinha. Mudo o conteúdo das gavetas, separo coisas que não uso pro lixo ou pra doação.

A forma como as coisas são (des)organizadas no resto da casa me causa aflição. E por isso, cada vez eu uso menos as outras partes do apartamento. Absurdo sem tamanho, eu sei. Isso tudo porque eu canso de conflitos. Não consigo mais ficar brigando pela eternidade com alguém pelo mesmo motivo.

From #ndi by @acoster

Por toda a eternidade...

Bagunça me faz infeliz. Bagunça me desmotiva. E eu não sei como resolver isso.

6/Agosto/2009

Franqueza

Vamos falar do proibido, por que afinal este blog é multitarefa e bem apessoado (bem que a dona queria ter um estilo e temas predefinidos, mas ela não consegue…).

honestidade

honestidade

Eu tenho sentido tanta falta de honestidade, franqueza, olhos nos olhos, eu não gosto de você. Os sinceros sofrem e são mal vistos, mas ultimamente eu só vejo o contrario. As pessoas se escondem, mentem, um dia falam “você é só uma conhecida, nunca vai ser mais que isso” e no outro dizem “hoje quem sabe a gente recomece a ser melhores amigos”. E sabe o que é pior? Essa gente sai ILESA. Essa gente vai ali na esquina e faz novos amigos. Coerência, sinceridade, amor-próprio, no quarto 12 por favor.

O que aconteceu com as pessoas que se importavam com as outras? Foram todas abduzidas? Esqueceram de mim!

minha casa

minha casa

Algumas coisas não precisam ser ditas, o corpo fala e mimimicococó. Exato, mas se você não vê a pessoa? Nos dias atuais dos tempos de hoje, é difícil as pessoas se encontrarem, é mais difícil ainda as pessoas lembrarem daquelas que não encontram, então?

Solução trivial: faça amizade com os vizinhos do seu prédio, conviva com eles, combine um chimarrão, uma novela. Dificilmente eles terão tempo pra isso, então parta para a próxima opção.

Solução trivial ++: faça amizade com pessoas da sua família. No pior caso, vai gastar um pouco em telefone, mas a sua avózinha será sempre uma boa ouvinte para as histórias em metáforas – porque a avózinha não está preparada para saber o que você anda fazendo aí pela noite – que você contará a ela.

avózinha querida

avózinha querida

Em algum momento ela vai questionar o motivo de não teres amigos da tua idade e ligares tanto pra ela. Nesse caso, parta para a última opção.

Não tenha amigos.

Meus olhos ardem e eu só quero conseguir dormir antes das 5. Sem sonhos, nem dos doces.