Tudo começou nas férias de verão de 1995. Em uma viagem a Santana do Livramento/Riveira (famosa fronteira seca entre Brasil e Uruguai) que ganhei meu primeiro par de patins, sem nem mesmo querer.

Eles eram rollers ou patins in-line como chamavam na época. Ganhei um conjunto de patins com rodas e cadarços cor-de-rosa, além de pares de cotoveleiras, joelheiras, luvas e um capacete: tudo em rosa e preto.
Dei minhas primeiras voltas de patins pelas ruas de Dom Pedrito, cidade do sul do estado, onde tinha pouco movimento de carros e asfalto pra andar tranquilamente. Com 11 anos na época, não me importava muito com os machucados e até que aprendi várias manobras com meu patins. Voltando as aulas, o patins acabou escondido no fundo de uma sapateira. Por muito tempo. Muito mesmo.
Em mudança, quando saí da casa dos meus pais, em 2007, olhei para o fundo da sapateira e lá estavam eles, empoeirados. Decidi levá-los comigo para a nova casa/vida. Dei umas voltas pelo apartamento, o que resultou em marcas da borracha em todo o piso da sala: desanimei. Sem parceria é complicado perder a vergonha de andar na rua.
Depois de algum tempo e amizades novas e/ou retomadas, fiquei sabendo que amigos combinavam um dia andar de patins. Um dia distante, mas um dia. Só que o sonho deles envolvia patins normais, não rollers.
Esses são bem mais charmosos
Óbvio, como é do meu feitio, embarquei no objetivo com eles. Ainda não aconteceu o treinamento. Até pensei em comprar um novo roller pra mim, mas me senti (eu sei, é bobo) traindo meu antigo roller, que até hoje persiste no meu quarto esperando por atenção.
Pretendo comprar esses patins botinha, de 4 rodas para finalmente andar com os amigos.

Nada de roller novo. Seria traição.
Penso em usar meu roller velho no “treinamento” para não demolir o patins novo na primeira usada. Já temos data marcada e muita vontade. Espero que dessa vez role, com o perdão do trocadilho.

Não quero um par de patins espalhafatoso, apesar de achar esse da foto muito lindo. Certamente ele é impossível de usar!
E toda essa conversa sobre patins só porque li um trecho de um livro, muito a ver com a situação social, fisica, econômica, psicológica e patológica do universo em desencanto. Aí vai:
… prefiro a metáfora do transtorno bipolar como um par de patins: em alguns lugares é difícil caminhar, em outros, anda-se muito mais rápido do que quem está sem eles. Quanto mais rápido, menos controle e mais chance de cair, mas maior a emoção! Por isso, para quem conhece bem seus patins, aprende a andar minimizando os riscos e procurando percorrer terrenos favoráveis, ter patins pode ser até uma vantagem.
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Temperamento forte e bipolaridade, dominando os altos e baixos do humor
Diogo Lara, 5a Edição
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